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sábado, 17 de maio de 2014

Para reflexão




O Marceneiro e as Ferramentas

Contam que, em uma marcenaria houve uma estranha assembleia.
Foi uma reunião onde as ferramentas juntaram-se para acertar suas diferenças.
Um martelo estava exercendo a presidência, mas os participantes exigiram que ele renunciasse.
 A causa?
 Fazia demasiado barulho e além do mais, passava todo tempo golpeando.
 O martelo aceitou sua culpa, mas pediu também que fosse expulso o parafuso, alegando que ele dava muitas voltas para conseguir algo.
 Diante do ataque, o parafuso concordou, mas pôr sua vez pediu a expulsão da lixa.
Disse que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atritos.
 A lixa atacou, com a condição de que se expulsasse o metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fosse o único perfeito.
 Nesse momento entrou o marceneiro, juntou todos e iniciou o seu trabalho.
Utilizou o martelo, a lixa, o metro, o parafuso...
E a rústica madeira se converteu em belos móveis.
 Quando o marceneiro foi embora, as ferramentas voltaram à discussão.
 Mas o serrote adiantou-se e disse: senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o marceneiro trabalha com nossas qualidades, ressaltando nossos pontos valiosos.
Portanto, em vez de pensar em nossas fraquezas, devemos nos concentrar em nossos pontos fortes.
 Então a assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limpar e afinar asperezas, e o metro era preciso e exato.
Sentiram-se como uma equipe, capaz de produzir com qualidade, e uma grande alegria tomou conta de todos pela oportunidade da trabalhar juntos.
O mesmo ocorre com os seres humanos.
Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa.
Ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas.
É fácil encontrar defeitos, qualquer um pode fazê-lo, mas encontrar qualidades?
Isto é para os sábios!

(Autor Desconhecido)



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Reflexões...


A lição do fogo
Paulo Lacava
~~~~~~~~~~~~~~~
Um membro, que regularmente frequentava um determinado grupo de estudos, sem nenhum aviso deixou de participar de suas atividades.
Após algumas semanas, o Mestre daquele grupo decidiu visitá-lo.
Era uma noite muito fria.
O Mestre encontrou o homem em casa, sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.
Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao Mestre, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando.

No silêncio sério que se formara, apenas contemplavam a dança das chamas em torno das rachas de lenha, que ardiam.
Ao cabo de alguns minutos, o Mestre examinou as brasas que se formaram e cuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado.
Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel.

O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto.
Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez.
Em pouco tempo, o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada.
Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos.

O Mestre, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo.
Quase que imediatamente ele tornou a incandescer alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.

Quando o Mestre alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:
- Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão.
Estou voltando ao convívio do grupo.
Muito obrigado!

Aos membros de um grupo vale lembrar que eles fazem parte da chama e que longe do grupo eles perdem todo o brilho.
Reflexão:
Aos Mestres e lideres vale lembrar que eles são responsáveis por manter acesa a chama de cada um e por promover a união entre todos os membros, para que o fogo seja realmente forte, eficaz e duradouro.
Fonte: http://baudasmensagens.blogspot.com.br

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Para Refletir




A Vida

Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho,
algo a ser ultrapassado antes de começar a viver,
um trabalho não terminado, uma conta a ser paga.
Aí sim, a vida de verdade começaria.
Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade.
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade.
A felicidade é o caminho!
Assim, aproveite todos os momentos que você tem.
E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar,
especial o suficiente para passar seu tempo;
e lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade;
até que você volte para a faculdade;
até que você perca 5 quilos;
até que você ganhe 5 quilos;
até que você tenha tido filhos;
até que seus filhos tenham saído de casa;
até que você se case;
até que você se divorcie;
até sexta à noite;
até segunda de manhã;
até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova;
até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
até o próximo verão, outono, inverno;
até que você esteja aposentado;
até que a sua música toque;
até que você tenha terminado seu drink;
até que você esteja sóbrio de novo;
até que você morra;
E decida que não há hora melhor para ser feliz do que AGORA MESMO...
Lembre-se:
"Felicidade é uma viagem, não um destino".
"Quem tem um porquê viver, encontrará, quase sempre o como."
HENFIL

Essa merece uma bela reflexão!!!

Fonte:http://avidaerealidade.blogspot.com.br






domingo, 13 de janeiro de 2013

Mensagem




Aproveitando o período das férias farei uma sequência de postagens com algumas mensagens. Espero que gostem e aproveitem a leitura!




Direcione seu olhar 
~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Quando estiver em dificuldade,
e pensar em desistir,
lembre-se dos obstáculos que já superou.
Olhe para trás.

Se tropeçar e cair, levante,
não fique prostrado,
esqueça o passado.
Olhe para frente.

Ao sentir-se orgulhoso
por alguma realização pessoal,
sonde suas motivações.
Olhe para dentro.

Antes que o egoísmo o domine,
enquanto seu coração é sensível
socorra aos que o cercam.
Olhe para os lados.

Na escalada rumo às posições,
no afã de concretizar seus sonhos,
observe se não está pisando em alguém.
Olhe para baixo.

Em todos os momentos da vida,
seja qual for sua atividade,
busque a aprovação de Deus.



                                       Charles Chaplin

Fonte:http://mensagensepoemas.uol.com.br

terça-feira, 24 de julho de 2012

Reflexão importante sobre "O dia dos Pais"


Visitando o blog Espaço Educar me deparei com uma postagem bastante interessante e oportuna para o momento atual.Tomei a liberdade de compartilhá-la aqui no blog, pois acho que essa  angústia incomoda grande parte dos professores e professoras.
Leia e reflita!



Como trabalhar o dia dos pais com tantas crianças que não têm um pai? O conceito de família nos dias atuais
   O Dia dos pais é uma data importante, enquanto o dia daquele que nos apoiou e ajudou, esteve presente nos momentos mais importantes de nossa vida. É um dia para estar perto, agradecer, lembrar, abraçar, reunir a família.
    A comemoração deste dia foi importada dos Estados Unidos, passando a ser comemorada aqui no Brasil desde 1953. Inicialmente, acontecia em Junho, mas por motivos comerciais, a data foi transferida para Agosto.

   
O termo Pai deriva do latim patre: progenitor, genitor, gerador. É a figura masculina da família.  A responsabilidade de ser o pai responsável pela educação e sustento dos filhos provém do Século XIX. No Século XX, porém, a mulher já ajudava no sustento familiar.

   Todos estes dados servem apenas para que nos situemos na origem da data, no início da comemoração. E se perguntarem minha opinião, hoje, sobre datas que não conseguem acompanhar as mudanças no seio da sociedade, direi simplesmente que elas deveriam ser extintas. E daí muitos se assustariam! Simplesmente imagino que o dia da família deveria ser comemorado, no lugar destas datas! Família porque assim estaríamos respeitando o modo de ser, de viver de cada um! Não estaríamos excluindo ninguém, pois mesmo um órfão considera família aquela que o adotou. Deste modo, não interessando se a criança vive apenas com os avós, esta é a sua família. Se vive com os tios, esta seria a sua família e assim sucessivamente, todos seriam incluídos, respeitados.
   
Preparamos e pensamos em tantas lembrancinhas tão lindas e no dia da entrega vemos aquele rostinho meio sem graça de triste, em meio às outras crianças sorridentes. O que fazer? Como lidar com uma realidade que todos os dias vai contra a  fantasia?
   Não tenho uma resposta pronta para esta questão. Já dei minha opinião pessoal a respeito. Posso apenas relatar aqui minha experiência, e quem sabe, ela sirva ou ajude a alguém. Todos sabemos que o conceito de família, em 2012, não é  o mesmo conceito que no século dezoito. As famílias mudaram, o conceito mudou. Mulheres saem ao trabalho enquanto o marido cuida da casa, pais criam seus filhos sozinhos, o divórcio deixou de ser um tabu e casais homossexuais criam filhos, também.
   
Será que a escola acompanha estas mudanças? Será que conseguimos trazer à nossa pauta estes assuntos REAIS ou continuamos ignorando totalmente o que nos cerca, com a limitada visão de que todas as famílias são perfeitas e ideais como as dos comerciais de margarina?

Estas são as famílias dos comerciais:









   Somos a era da imagem, da velocidade da informação. E nada do que eu diga comprovará melhor que imagens que, geralmente, falam por si. Apenas para reflexão e análise.

   Isto me ajudou a reformular minhas lembrancinhas e atividades escolares nestas datas, me ajudou a trabalhar certas datas em classe de modo mais real, menos 'novelístico', menos 'televisivo'. Sabe por quê? Porque eu tinha uma aluna que foi abusada pelo pai,  um aluno que nunca viu o pai em toda a sua vida, tinha outros que viam o pai beber até cair e assistiam a mãe trabalhar até não poder mais para sustentar a casa. 

   Não sei se estas 'realidades' faziam parte apenas de minha turma, ou se elas se estendem (penso que sim!) a outros Estados do país e a outras salas de aula Brasil afora. Ficava pensando: "Como abordar dia dos pais com eles??" "Como ignorar metade do grupo e fazer lembrancinhas para a outra metade?" Como atropelar esta dor em prol de uma data comercial? Comercial porque pai é pai todos os dias! É bonita a homenagem de dar-lhe uma data no calendário, mas pai que não ouviu um 'eu te amo' o ano inteiro, sinceramente, não precisa ouvir numa data específica, o significado todo se perdeu no percurso.

 Esta é uma família típica do Nordeste do Brasil:
 
Família pobre do Nordeste: o predomínio
das mulheres é cada vez mais nítido
Imagem Revista Veja

   Observe que de acordo com o senso do IBGE o padrão da família basileira não é mais como antigamente. Aumentou o número de famílias com mulheres sem maridos e com filhos, ao mesmo tempo em que o padrão familiar deixou de ser aquele televisivo e dos comerciais. E predominam as famílias onde a mulher é a responsável pelo sustento, sem a figura masculina. 

   Voltando ao modo como trabalhei a data com a turma, explico: Nos sentamos em círculo, alguns alunos já haviam dito  anteriormente: 'o dia dos pais é na semana que vem, eu não tenho pai'. e conversamos. Falamos sobre a data e sua origem, cada um pôde falar sua experiência, contar o que este dia significa para ele. Muitos tiveram coisas ruins para contar. Em outros casos, percebi que mesmo tendo pai, ele era um grande vazio para aquela criança, pois ela não tinha NADA para contar. Disse 'quase não vejo o meu pai, ele chega tarde e domingo ele sai'. 
   Então, fizemos uma redação:


O QUE EU PENSO SOBRE O DIA DOS PAIS

    E gostaria sinceramente de ter os trabalhos para escanear e colocar aqui, mas não tenho. Alguns alunos escreveram que era uma data boa para estar perto dos pais, abraçar, dar um presente. Outros escreveram que a data não significava nada para eles porque nunca teve um pai. Outros escreveram que o pai havia morrido e ainda outros que não gostavam de lembrar do pai porque ele não era uma pessoa boa. Notei que diversos pais, mesmo existindo fisicamente, não existiam, eram uma lacuna.

Parti para a segunda parte:

MEU GRANDE AMIGO

   A conversa foi uma continuidade do que havíamos conversado antes. Mas desta vez, perguntei a eles se havia alguém especial de quem se lembravam neste dia. Disse a eles que pai não era aquele que o gerou e sim aquele que o ajudou, que deu a mão, deu amor, foi AMIGO. Vi diversos rostos se iluminarem. Eu disse: Então, quero que pense nesta pessoa. Vamos falar sobre ela e você irá dedicar este domingo a esta pessoa. A conversa foi diferente e desta vez eles se sentiram mais a vontade, mais alegres. Cada uma daquelas crianças se alegrou com o termo amigo. Então, vamos transformar esta data numa espécia de dia do amigo!

   Fizemos corações: MEU GRANDE AMIGO - foi o título escolhido. No cartão, escreveram um agradecimento a pessoa que lhes deu amor, carinho, que esteve perto. Muitos escreveram ao avô. Outros, ao irmão mais velho. Alguns ao pai, outros escreveram a um tio, e dois a um primo.

   Fiz estas atividades porque preferi abordar o tema e modificar um pouquinho a dor do modo antigo de pensar, imagino que pensando desta forma, que tinham um grande amigo, alguém especial, poderiam encarar de melhor forma a ausência.

  Não tenho ainda todas as respostas. Não acredito que alguém as tenha. E gosto de saber que o assunto está inacabado. Desta forma, poderão completá-lo com suas opiniões,
também. Deixo o tema em aberto para que dêem suas próprias opiniões e sugestões.

Texto: Profª Elizabeth Cavalcante 


Consultei: 
IBGE
Revista Veja - A família brasileira

segunda-feira, 18 de junho de 2012

domingo, 27 de maio de 2012

Acolhida literária dia 25/052012


Texto lido pela Professora Marly Bezerril na acolhida literária do dia 25/05/2012



Pensamento Surpreendente (Escrito por uma criança africana)

Quando eu nasci, era Preto;

Quando cresci, era Preto;

Quando pego sol, fico Preto;

Quando sinto frio, continuo Preto;

Quando estou assustado, também fico Preto;

Quando estou doente, Preto;

E, quando eu morrer, continuarei Preto!

E você, cara Branco;

Quando nasce, você é Rosa;

Quando cresce, você é Branco;

Quando você pega sol, fica Vermelho;

Quando sente frio, você fica Roxo;

Quando você se assusta fica Amarelo;

Quando está doente, fica Verde;

Quando você morrer, você ficará Cinzento.

E você vem me chamar de Homem de Cor??!

Fonte: Para Ler e Reler, Instituto Alfa e Beto, página 16.

Reavalie seus conceitos!!!!!!!! 

sábado, 19 de maio de 2012

A maior flor do mundo/ José Saramago


Belo vídeo!!


E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?

José Saramago

sábado, 24 de março de 2012


A ÁRVORE DOS PROBLEMAS


Esta é uma história de um homem que contratou um carpinteiro para ajudar a arrumar algumas coisas na sua fazenda.

O primeiro dia do carpinteiro foi bem difícil. O pneu de seu carro furou e ele deixou de ganhar uma hora de trabalho. A sua serra quebrou, ele cortou o dedo, e finalmente, seu carro não funcionou no final do dia na hora que iria embora.

O homem que contratou o carpinteiro ofereceu-lhe uma carona para casa e durante o caminho o carpinteiro não falou nada.

Quando chegaram a sua casa, o carpinteiro convidou o homem para entrar e conhecer a sua família. Quando os dois homens estavam se encaminhando para a porta da frente, o carpinteiro parou junto a uma pequena árvore e gentilmente tocou as pontas dos galhos com suas mãos. Depois de abrir a porta de casa, o carpinteiro transformou-se! Os traços tensos de seu rosto transformaram-se em um grande sorriso. Ele abraçou seus filhos e beijou sua esposa afetuosamente.

Um pouco mais tarde o carpinteiro acompanhou sua visita até o carro. Assim que eles passaram pela árvore o homem perguntou por que ele havia tocado na planta antes de entrar em casa.

"Ah", respondeu o carpinteiro, "esta é minha árvore dos problemas. Como eu sei que não posso evitar ter problemas no meu trabalho e, também sei, que não posso traze-los para meus filhos e esposa, então eu resolvi que toda a noite eu deixaria os meus problemas nesta árvore e os pegaria na manhã seguinte."

"E funcionou?", perguntou o homem já chegando no seu carro.

"Se o senhor quer saber, funcionou melhor do que eu esperava. Todas as manhãs quando eu volto para pegar meus problemas, eles não são nem metade do que eu me lembro de ter deixado na noite anterior..."

(Autor Desconhecido )

domingo, 29 de janeiro de 2012

Para refletir



Lençol sujo

Um casal, recém-casados, mudou-se para um bairro muito tranqüilo.


Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou através da janela em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:

- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal!

- Está precisando de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

O marido observou calado. 

Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou com o marido:

- Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal.

Passado um tempo a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido:

- Veja, ela aprendeu a lavar as roupas, será que outra vizinha ensinou 

O marido calmamente respondeu:

- Não, hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!

E assim é.

Tudo depende da janela, através da qual observamos os fatos.

Antes de criticar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir, verifique seus próprios defeitos e limitações. Olhe antes de tudo, para sua própria casa, para dentro de você mesmo.

Só assim poderemos ter noção do real valor de nossos amigos.

Lave sua vidraça.

Abra sua janela.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Para reflexão




Meu filho, você não merece nada.


Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.
Colaboração: Zirair Karmirian Filho

ELIANE BRUM

Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo). 
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